Uma problemática libertária


Numa análise direta e sincera sobre o movimento libertário brasileiro, buscarei demonstrar uma problemática mal interpretada pelos libertários a que vêm a se referir sobre o indivíduo e a consequentemente ''desvalorização do coletivo'' junto a uma demonizaç

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 O libertarianismo é o movimento filosófico cujo me identifico com mais clareza; o estabelecimento do raciocínio libertário é uma das estruturas que acho coerente de forma diretas, mas (contudo, entretanto, toda via) o espírito eclético e perspectivista me faz ter um pé atrás quanto a um posicionamento que não vem de fato a ser algo benéfico tanto pra cultura libertária quanto para a imagem pública de quem vai adentrar a esse movimento.



A observação dos libertários quanto ao coletivismo e a sociedade, num dado empírico, é muito negativa. Se você unir ''coletivismo'' com um adjetivo de qualidade que se refira a algo positivo, muito possivelmente, será massacrado com diversos comentários mal educados, mal embasados e que se prendem a uma visão radicalmente polarizada e incapaz de pensar profundamente sobre a importância de conceitos e posições que não as suas próprias.


Para compreender melhor o que passo, precisamos compreender o que é indivíduo. E aí já entramos numa guerra de definição, pois esse movimento cujo tenho ligação sempre, sempre mesmo, vai atacar os seus conceitos antes de concluir o raciocícnio (preste atenção e obtenha através de sua visão, o libertário estabelece uma relação de falta de universalidade e objetividade em sua definição, o que acarretaria numa consequente destruição de sua tese e esquiva para o que amam proclamar, o famoso, espantalho).


Contudo, vamos compreender aqui o indivíduo como o ser que pode ser apontado. Todo e qualquer indivíduo que está no mundo sensível pode ser percebido pelos sentidos e simplesmente exclamado com um ato de observação (nesse caso, o apontar).



Sem indivíduo não há sociedade, isso é um fato. O inviduo é uma parte necessária para que a sociedade venha a existir; mas, o que seria a sociedade? Pois bem, sociedade seria a livre-associação entre indivíduos que tem o objetivo de realizar trocas que permitam organizar a vida humana e continuá-la. Até até aqui temos uma definição direta e que se encaixa na formação história dos seres humanos (espero eu).


E é aí que o circo começa a pegar fogo, pois entramos na afirmação que é interpretada equivocadamente: a sociedade não se resume a um somatório de indivíduos. A ação humana sempre é configurada por um agir em grupo; a construção livre de sua individualidade requer a consciência das influências recebidas dos grupos sociais aos quais cada indivíduo pertence.


Respire. Não busco afirmar aí que a sociedade pode fazer o que quiser com o indivíduo, mas busco afirmar que o indivíduo não pode fazer o que quiser com a sociedade. E pra isso vou o sociólogo francês Robert Castel, buscando sua definição do que ele entendia como ''desinvidualização do indivíduo'' — aqui vamos compreender o indivíduo como uma parte de grupos sociais, tanto que o indivíduo per si só é respeitado quando unido a um grupo social, obtendo assim seus direitos (sociais, não tem nada a ver com direitos naturais) por sua ação social. 


A ''coisa'' do libertarianismo é ver as coisas como ideais, e não como são. Seria ótimo se existisse essa expressão toda individual de: ''eu faço o que quero, quando quero e para quando quero; contanto que eu não machuque ninguém.'' — toda via, viver em sociedade pressupõe entender que a essa condição de vivência é carregada por desconfortos, discordâncias e relações de poder que são claras e aparecem a todo momento.  Compreender a Sociedade da mesma forma que se compreender o Estado é algo errôneo, pois a Sociedade não está intrinsecamente ligada à coerção (pode haver, mas em sua composição fundamente não é algo que coexiste com ela).


O coletivo é o conjunto de indivíduos, não é a mesma coisa de coletivismo. O coletivismo deriva da noção do coletivo, priorizando (às vezes, não é sempre) a sobreposição do grupo aos interesses individuais; o coletivo pode ser entendido como a interação multipla de indivíduos, não há, novamente, uma base de coerção cá. O coletivo não precisa ser demonizado: em essência, a única coisa que o libertarianismo precisa se opor é a coerção [dessa maneira fica mais claro e menos abstrato].